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Faz tempo que não acontecia isso.
Já tava pensando que poderia ser pra sempre, mas não é tão ruim quanto eu esperava.
Não que eu esperasse que fosse ruim, mas é que eu podia imaginar.
Eu não vou sair sem pensar dessa vez, esperar que tudo comece como mais uma segunda-feira monótona, não dá agora.
Afinal, quando tudo voltar ao normal, não vai ser normal.
Recomeçar diferente e nem sei como, ou onde.
As caixas estão por toda parte e dentro delas: eu.
- onde está o Woody ?
Mais uma sessão de começar a escrever sem pretensão e acabar na mesmice chata e irritante de frases soltas e não, não estou bêbado, ou estive. Nunca estive, é o que quero dizer.
Alguém entende? É um monólogo. Eu entendi.
Palmas para o senhor na primeira fileira, aquele que consegue ver tudo e ainda assim não corre. E vejam, não é cego.
Quando volto de viajem, ainda nem sequer saí. Olho pro lado e as coisas continuam dentro das caixas.
Surpreso ao perceber, não saiu de uma música, mas sim de uma situação. Eu ainda imagino a música, ela tem melodia dançante, mas letra triste. Não me incomoda, não entendo uma palavra do que esse bêbado tá falando.
-você não vai mais querer isso?
-não sei...
-é sério, tô empacotando tudo.
As notícias não são boas, mas quem liga? Chega de entradas melancólicas.
Prefiro festivas, comemorativas ou alegrinhas, mas tenho que viver primeiro. Como dizia minha avó: “Prefiro festivas, comemorativas ou alegrinhas, mas tenho que viver primeiro”
Minha avó nunca falou isso.
O tempo passa tão rápido, e dizem que um ano é uma eternidade. Estranho.
Quando estiver na minha nova casa contemplando as novas paredes talvez eu olhe pra trás e veja que eu estava melhor.
Agora não consigo imaginar nada disso.
Eu quero descer no Insano. Pronto falei.
Por alguns poucos segundos o mundo vai estar fora da minha cabeça.
Eu queria ser o Superman. Arrumaria caixas em alta velocidade e elas não pesariam tanto.
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