Despertador

Posted: sexta-feira, 30 de abril de 2010 by Arthur Alves in
0

Não dá pra escolher de fato entre duas situações distintas. Não há, simplesmente, a escolha certa.
Talvez a resposta esteja na ponta da língua, mas por motivos de força maior é recomendável que fique onde está.
Quanto mais eu tento me desvencilhar do que há ao meu redor nesse momento, mais as raíses da nova fundação me prendem e dificultam qualquer tipo de escapatória.
É simples e ao mesmo tempo complexo. É sobre como uma vida muda com um telefonema, de repente são novos rostos, novas ruas, velhos sentimentos e saudade. Olhando pra trás eu posso dizer: eu era feliz e sabia.
Não é o que eu quero fazer, mas as oportunidades estão me arrastando para o conformismo, como uma corrente marítima, ou simplesmente corrente.
O quarto não é meu de verdade, a cama não é minha de verdade, a vida não é minha de verdade. Por enquanto eu tomo conta da minha saúde.
Só mais cinco minutos, é o que eu peço pro despertador, mas me sinto mal. É permitido?
Pela segunda vez em menos tempo do que eu gostaria arrumei as minhas malas. As caixas, e o máximo que eu puder levar. A vista das janelas? Preciso de um teto familiar. Dessa vez acho que perdi o Woody.
Um museu vive bem, talvez eu queira ser como ele.
Não quero mais ter que repetir, eu largaria tudo por um devaneio? Não quero ter que fingir que está tudo bem.
O que disse Paul no último telefonema? Esqueça Gaga. Quando Obama resolveu me mandar um scrap? Por onde anda Michael? Me perco tentando encontrar sentido no lúdico, seja pra passar o tempo, divertir ou talvez fugir. Uma fuga planejada, um desencontro premeditado.
Coisas lutam pra sair da minha cabeça.
Todos eles acabam dizendo a mesma coisa, mas eu digo: não será igual, a vida de todos vai se resolvendo...
Agora finalmente chego ao ponto dois.
Isso que ocorre as vezes nem arranham os sentimentos que agora precisam ser contidos. Não espere ser tarde demais. Se conselho fosse bom, o Silvio seria rico.
O que um dia eu senti pela velha casa amarela agora sinto pela cidade azul onde está a casa branca. Agora há uma cidade cinza e uma casa incolor, o que é um lar?
Antes que eu durma tudo vem se fortalecendo no meu pensamento. Antes era apenas sobre o que dizer diante daquilo, agora é sobre o que eu poderia ter dito. Poderia.
Desventuras.
Solitário, junto.
Não tem escolha agora. É tarde demais. Eu desisti até que o despertador me acorde dos sonhos e me leve pra vida irreal.

02/03/2010

0 Abraços:

Todo o que disser poderá ser usado contra você, no tribunal. Pratique o Eufemismo