Eu odeio esperar.
Eu odeio muitas coisas, mais coisas do que eu poderia escrever aqui sem se tornar um livro dramático de memórias desinteressantes.
Nós acabamos tendo que, na vida, passar por coisas que, realmente, não podemos evitar e que, convenhamos, são realmente desagradáveis.
Despedidas, por exemplo. Acabo de, novamente em menos tempo que eu gostaria, anotar esse dia como o dia de mais um adeus um tanto quanto triste. Eu diria até encorajador, ao invés de triste.
Esperançoso por um lado, desesperadamente em busca de um motivo por outro. E acabando sendo uma redundância proposital notável. Diga três vezes, rápido.
Estava a muito em busca de inspiração, e nem imagino como poderia prever que ela viria em forma de desventura. Até pareci um pouco otimista ao pensar que algo de bom me traria a luz, eu acabo gostando desses momentos escrotos que me explicam algumas coisas sobre as pessoas. Eu gosto de observá-las afinal. De uma maneira ou de outra é como se eu não fizesse parte de todos e ao mesmo tempo sou só mais um deles.
A propósito, estou em um saguão de aeroporto. Um bem desconfortável e irritante saguão de aeroporto.
Talvez eu passe a noite inteira aqui. Eis a minha desventura.
Eu quase pensei que poderiam ser os limitados dias de paz que passei ao redor de pessoas que eu gostaria de ver sempre, que me dariam a inspiração certa pra próxima tentativa de escrever mais um pouco de palavras soltas sobre um diário de vida ou uma cronica alienígena e, é claro, soando enormemente, e erroneamente, homossexual.
Vai, Serginho.
Sobre como aquela pessoa que você vê todo dia apenas por frequentar os mesmos lugares coincidentemente faz falta. Muita.
Como cada um reage ao aviso da companhia aérea?
Tem um cara dormindo a alguns passos daqui. Não está em uma cama, nem de perto.
Um deles que eu havia visto acabou indo embora. Nem sei pra onde. Nem queria saber.
As crianças dormem e elas podem, outros ainda falam sobre política e eu os escuto muito bem por sinal.
Não dá pra encontrar uma posição confortável. Impossível.
Ela deu uma notícia realmente desagradável e é claro que ela sabia disso, mas ela tinha uma voz tão doce. E a minha vida ainda parece uma versão estendida desse momento.
Eu não escuto apenas notícias boas e nem espero isso, mas continuo com reações fracas daquele tipo que você chega em casa e pensa que poderia ter feito ou falado diferente do que fez, ou falou.
Não falar e não fazer é a história dos últimos tempos.
Escrevo de forma cuidadosa, como se alguém fosse ler.
Nem quero que possam, na verdade nem espero que compreendam alguma palavra que sai aqui.
Ler pode ser uma visita aos meus pensamentos mais sórdidos. Trate o meu cérebro como uma mente de quem usa algum tipo de alucinógeno, vai ser mais fácil.
O Sono tá pegando. Lutar contra isso é o mesmo que adiar a ida ao dentista. É melhor que você não falte ou vai perder a luva balão.
Tudo isso apaga um pouco as despedidas de agora a pouco. Nem senti ainda, de fato.
Talvez daqui a um ou dois dias possa estar sentindo falta de um abraço, parceria, gritar palavrões de madrugada ao perder no vídeo game, e aí sim, talvez eu tenha a inspiração que eu espero.
É tudo sempre tão igual.
Mas eu nunca me acostumo.
E agora que eu tenho a minha própria caixa de pandora, nem a esperança vai ficar pra trás.
Arthur Alves.
06/04/2010.
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