Transporte Coletivo.

Posted: sexta-feira, 13 de agosto de 2010 by Arthur Alves in - , ,
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Aí eu melhoro do meu jeito de causar o desprezo nas pessoas, enfim.

Na possibilidade de lhe faltar inspiração para algo, faça alguma merda e filme, diga alguma mentira e publique, componha uma música e distribua, ache algo interessante e compartilhe. Isso não se aplica comigo.
                Sempre o maior embalo de inspiração que me ocorre é durante uma situação escrota, tipo, cotidiana ou surpreendente, se eu estiver com problemas dá vontade de falar sobre isso. Talvez isso se aplique a muitas pessoas, mas o fato é que nem todas vêem problema em tudo e situações complexas em cada esquina, assim como eu faço.
                Não consigo imaginar um bom texto sobre o quanto é escroto pegar ônibus todo dia, e acho que soa meio arrogante, sabe, essa minha essência.
                Mas bem, enquanto não há um meio de transporte particular à minha disposição, eu me aperto toda manhã com um pingo de raiva reprimida. Todo mundo sempre tem algo a reclamar sobre o dia ou a vida que leva, eu me considero um reclamão as vezes, mas tem sempre uma maneira de rir disso no futuro e, no caso do ônibus superlotado por exemplo, eu me concentro em observar e ler a mente das pessoas.
                É o nível de relacionamento mais complexo e mais peculiar de todos, na minha opinião. Há aquelas pessoas que você nunca mais vai ver por aí e mesmo assim elas provocam uma curiosidade repentina quase incontrolável, e também tem aquelas que você vê todo dia indo pra algum mesmo lugar fazer alguma coisa, exatamente todo o dia, na mesma hora, com os mesmos hábitos durante o trajeto.
                Isso pode parecer doentio, mas realmente é muito interessante, quero dizer, são como pequenas partes de um organismo que estão com a mesma função, mas não se comunicam. É como se todos se conhecessem, fossem forçados a uma sociedade em um mundo individualista e olhando por esse ponto todos parecem não gostar de ter que interagir com os outros mesmo que de uma maneira indireta, passar duas horas sentado ao lado de alguém todo dia e não trocar uma palavra, absolutamente normal.
                Sempre tomando um rumo diferente, menos neurótico, sempre questionador. sei lá.

Ainda falo com aquela loirinha que sobe cinco paradas depois e, suponho, desce poucas paradas depois da minha.

Era isso por hoje.

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