Acidez Noturna: Parar de Estudar, ok
Posted: quinta-feira, 21 de outubro de 2010 by Arthur Alves in - Acidez Noturna, Coisas que eu odeio, Especial, Gente Doida, Luís Fernando Veríssimo, Mãe, Pessoas
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Eu odeio ter que dar satisfação, estar errado e saber disso.
- é com essa conflitosa frase adolescente família restart que eu começo a pauta de hoje, ok
Há algumas coisas que você não pode dizer pros seus familiares. Alguns amigos podem entender, mas a maioria da galera que tem o mesmo sangue que você (e até os cunhados intrometidos) sempre vai se chocar se você falar uma dessas frases abaixo:
Oi, pai, mãe, sou homossexual – dito na hora do jantar é a principal causa de enfartos em pais machões e orgulhosos. O mesmo ainda vale para: ‘Quero ser Ator’ ou ‘Quero ser Bailarino’.
Quero ser um astro do rock – essa vai provocar uma série quase sem fim de risadas histéricas e medonhas e depois você ainda vai ter que escutar horas de ‘sobre como a vida não é fácil’ bla bla bla. O mesmo vale pra: ‘Mãe quero ser blogueiro/vlogueiro’.
Eu não acredito em Deus – tudo bem, você pode ter uma família onde todo mundo é ateu, mas com certeza alguma pessoa já tentou te converter pra alguma religião, e essa, quem quer que tenha sido, não consegue sequer suportar a idéia de alguém que não acredita em Deus.
Eu vou Largar os Estudos – BAM! Essa frase segue um ‘fala baixo menino’ *olha ao redor* ‘vamos aqui conversar’. Tudo o que importa são as aparências, e é onde eu quero chegar.
Falando novamente em como as pessoas são hipócritas vem aquele caso de ‘tudo bem que o filho do vizinho é gay, mas meu filho não pode ser nunca’. É sobre o quanto todo mundo adora falar que é moderno e que aceita as diferenças e as escolhas pessoais, mas dentro de casa adora controlar todo mundo com um falso modelo de ‘certo’ ou ‘aceitável na sociedade’.
E esse controle de certa forma inibe, principalmente os mais novos, de se expressar e botar em prática os seus desejos e sonhos, criando aquela imagem de ‘rebeldia adolescente’ que tenta justificar os pais recriminando qualquer atitude dos seus filhos que estão lidando do próprio modo com o mundo, é algo como uma super-proteção disfarçada como ‘chatice de adultos’.
Se você tiver 15 anos, desculpa, sua palavra não vale merda nenhuma, é isso.
Essa tal super-proteção acaba polindo uma réplica dos pensamentos dos pais nos filhos e diminui drasticamente uma das melhores coisas da sociedade em geral: a individualidade e a opinião própria, traduzindo: pais controladores, filhos babacas. – Ou punks e sociopatas em potencial, sei lá.
O que eu quero dizer é que para uma melhor evolução pessoal, por assim dizer, é necessário um desligamento parcial da família. Todo mundo diz que não se importa com o que os outros dizem, mas é besteira, só não se importa com o que os outros dizem quem não escuta ninguém dizer nada a respeito do que quer que seja e isso só é possível com uma desvalorização em qualquer tipo de relacionamento, não se entregando a nada nem a ninguém apenas para observar o comportamento das pessoas, á distancia. *puxa o ar*
Eu conheço muitos amigos que agora estão na Universidade e não estão satisfeitos com o seu curso e com a sua vida em geral e não largam por motivos que pra mim, não são tão convincentes. Ou é a mãe que aconselha a ficar ou é a vergonha de ter que admitir que perdeu um ano ou é a desmotivação por ‘voltar atrás’, enfim, no final o que conta não é a opinião pessoal e sim o que poderá escutar dos outros por que eles tinham expectativas e etc. se você não manda todo mundo tomar no cu, nesse caso, você é um babaca.
Eu larguei a minha vaga na Universidade, de fato, fiz uma escolha ruim de curso e não estava satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando. Me considero corajoso por isso e um pouco impotente por não poder fazer mais, mas pelo menos o primeiro, e grande, passo eu consegui dar, espero ir mais adiante com os meus planos (que prefiro simplificar pra não perder tempo de viver, ou de twitar, sei lá) e essa coragem de trocar algo certo por algo duvidoso eu prefiro não considerar burrice, se não eu fico na fossa. - Aí não dá, né?
Eu sei absolutamente as conseqüências que essa atitude pode gerar, eu pensei muito antes de fazer isso e sempre que eu pensava me dava uma aflição sem fim de ser professor. Escolhi não viver. Motivos? Quem precisa de motivos quando se tem heroína? – Frase de um filme foda, não uso drogas, ok.
Luís Fernando Veríssimo escreveu: “Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo o mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.” E eu dou RT, por que... né? Tá fácil pra ninguém.