Algumas reflexões sobre a instabilidade

Posted: segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in - , , , , , ,
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 O fato de um mundo de informações chegar de maneira inacreditavelmente rápida para cara indivíduo comedor de maçã da face da terra tem um lado muito negativo que é a influência na formação de opinião.
                Eu não consigo sequer supor a veracidade ou a durabilidade de uma concepção de opinião escarrada por qualquer um que fale sem ter sido convidado ou mesmo de alguém que se disponha a discutir e defender um ponto de vista com unhas e dentes, seja ele qual for.
                O motivo é que as pessoas mudam. As opiniões são passageiras, e apesar de acreditar no consenso geral em relação à qualidade de conteúdo, hoje finalmente entendo o que diabos poderia significar o ditado: ‘gosto não se discute’.
                O problema é que muita gente anda se tornando passiva à instabilidade de opinião, muita gente considera algo pop ou não; algo de bom gosto ou não, apenas por ter absorvido as considerações de um ou outro formador de opiniões qualquer, ou pior, achar, na infindável ignorância, que a maioria dita o bom e o ruim.
                Assim, acompanho algumas ambigüidades de comportamento bem notáveis no mundo que eu vivo. Alguém, que dizia odiar certo tipo de pessoa, acaba lentamente por se tornar a exata imagem da qual tinha aversão anteriormente. A ironia quase não tem fim e eu tento mais uma vez buscar uma resposta no meio de tanta confusão.
                Até que me deparo com uma verdade inconveniente, eu simplesmente sou só mais um ser com a opinião instável, que busca lentamente uma afirmação, e isso se torna cada vez mais irônico. Eu me pego analisando minhas próprias atitudes, meus infinitos monólogos sem sentido, e o que muitas pessoas poderiam classificar como amadurecimento, eu acabo encarando como um apodrecimento.
                Eu saio e olho novamente para os outros, na minha confortável situação de critico social incansável, vejo que, por comparação, minhas mudanças foram bem mais sutis, e reparo que as pessoas menos decididas formalmente acabaram caindo no esquecimento do meu passado. Eu nem lembro como eu me relacionava com coisas assim.
                O que me resta são poucos amigos, mas amigos que valem a pena ter, aqueles entre poucos que talvez a saudade seja mais reconfortante do que triste. Ainda acho que os sentimentos nostálgicos em relação à isso seja o natal finalmente me afetando, mas se for, então finalmente eu o  entendi. Tem haver com escutar guizos.
                Se o meu esforço por conhecer tudo, buscar a experiência e divagar sobre a vida, preceder e se sobrepor ao meu falatório interminável sobre as pessoas como objeto de estudo, eu me sentirei em ordem, mesmo que nunca tenha provado jiló pra saber que odeio.


Aproveitemos a vida enquanto ainda gostamos disso

Tipo Isso

Posted: quarta-feira, 15 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in - ,
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Batman's Utility Belt

Posted: terça-feira, 14 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in -
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Out to lunch

Posted: by Arthur Alves in - , ,
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Estou redirecionando a minha mente para outros objetivos que não se baseiam no simples entretenimento alheio. De fato, estou abrangendo os meus conhecimentos no que diz respeito à criação e/ou produção literária, para então dar início a um projeto pessoal que provavelmente vai ocupar grande parte do meu tempo de ócio. Por isso novas teorias, histórias ou contos geralmente encontrados nesse espaço, vão ser mais raros daqui por diante.




O que você vai contar pros seus filhos?

Posted: quarta-feira, 8 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in - , , , , ,
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 Alguma vez, você jovenzinho maroto recém livrado das espinhas que se acha um adulto quando a mãe manda você pagar a conta de luz atrasada, talvez já deva ter se perguntado: ‘o que eu vou contar da minha vida pros meus filhos?’
                Sabe aquele sermão que você leva do seu pai sobre a vida ter responsabilidades e que toda a pressão começou quando [insira a história triste do seu pai aqui]. Ou no churrasco de família que todo mundo diz pro seu tio contar daquela vez que [insira a história de insanidade juvenil do seu tio aqui]. Todos parecem ter uma história pra contar e parece que todas essas histórias aconteceram na mesma época da vida que você está passando agora, ou seja, a sua vida é chata demais pra ser contada.
                Filho, é o seguinte, na sua idade eu já tinha que me comportar como homem, e tinha a responsabilidade de twittar pra 500 seguidores alienados, mas já era esperto como os vencedores tem que ser, assim consegui logo baixar esse programa que gera esses seguidores fantasmas pra mim. Papai é muito esperto.

Eu não fui dessas crianças gordas de apartamento que curtem ver TV o dia todo e não praticam esporte nenhum, primeiro por que eu nunca fui gordo, mas o resto é tudo meio verdade.
                Dizem que quem nunca sangrou o dedo jogando bola na rua descalço ou correu na chuva só de cueca arriscando a vida na corda bamba da pneumonia, não foi criança. Se for verdade, então eu nasci meio idoso. Eu era do tipo que empina papagaio no ventilador, que joga peteca no carpete, e que, no geral, não gosta de brincar de nada que envolva corridas. – Fato que causa até hoje a minha total falta de condicionamento físico até pra jogos de luta no fliperama
                O máximo de farra que eu consigo hoje é virar a madrugada jogando vídeo-game com meus amigos, se embebedando de coca-cola, falando de nossas ‘profundas’ experiências com o sexo oposto e tudo ainda meio que acaba com PORRA, EU TE AMO PRA CARALHO VELHO!1!(?)
                Eu acho que desorgulho os meus pais quando falo que vou pra casa do fulano amanhecer jogando Pro Evolution Soccer ou Metal Slug.
Quem me dera ter um filho baladeiro que que chega em casa de manhã escondendo a embriagês e que vez ou outra ganha umas DST’s extras, MAS NÃO! Meu filho vai lá destruir o futuro dele jogando Playstation 2.

Sobre a Transitoriedade, por Sigmund Freud

Posted: segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in - , , , ,
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Ao pensarmos que tudo que temos de bom - as belezas da natureza, o universo de sentimentos que cultivamos, nossos amores e até sabedoria - desvanece e se transforma em nada sob a ação do tempo, podemos tanto nos desiludir quanto valorizar ainda mais o presente.

Um amigo me mostrou esse texto muito interessante há uns dias atrás e eu achei oportuno partilhar mais essa teoria sobre o que quer que seja com quem quer que seja.

Não faz muito tempo empreendi, num dia de verão, uma caminhada através de campos sorridentes na companhia de um amigo taciturno e de um poeta jovem, mas já famoso. O poeta admirava a beleza do cenário à nossa volta, mas não extraía disso qualquer alegria. Perturbava-o o pensamento de que toda aquela beleza estava fadada à extinção, de que desapareceria quando sobreviesse o inverno, como toda a beleza humana e toda a beleza e esplendor que os homens criaram ou poderão criar. Tudo aquilo que, em outra circunstância, ele teria amado e admirado, pareceu-lhe despojado de seu valor por estar fadado à transitoriedade.
A propensão de tudo que é belo e perfeito à decadência, pode, como sabemos, dar margem a dois impulsos diferentes na mente. Um leva ao penoso desalento sentido pelo jovem poeta, ao passo que o outro conduz à rebelião contra o fato consumado. Não! É impossível que toda essa beleza da Natureza e da Arte, do mundo de nossas sensações e do mundo externo, realmente venha a se desfazer em nada. Seria por demais insensato, por demais pretensioso acreditar nisso. De uma maneira ou de outra essa beleza deve ser capaz de persistir e de escapar a todos os poderes de destruição.
Mas essa exigência de imortalidade, por ser tão obviamente um produto dos nossos desejos, não pode reivindicar seu direito à realidade; o que é penoso pode, não obstante, ser verdadeiro. Não vi como discutir a transitoriedade de todas as coisas, nem pude insistir numa exceção em favor do que é belo e perfeito. Não deixei, porém, de discutir o ponto de vista pessimista do poeta de que a transitoriedade do que é belo implica uma perda de seu valor.
Pelo contrário, implica um aumento! O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição. Era incompreensível, declarei, que o pensamento sobre a transitoriedade da beleza interferisse na alegria que dela derivamos. Quanto à beleza da Natureza, cada vez que é destruída pelo inverno, retorna no ano seguinte, do modo que, em relação à duração de nossas vidas, ela pode de fato ser considerada eterna. A beleza da forma e da face humana desaparece para sempre no decorrer de nossas próprias vidas; sua evanescência, porém, apenas lhes empresta renovado encanto. Um flor que dura apenas uma noite nem por isso nos parece menos bela. Tampouco posso compreender melhor por que a beleza e a perfeição de uma obra de arte ou de uma realização intelectual deveriam perder seu valor devido à sua limitação temporal. Realmente, talvez chegue o dia em que os quadros e estátuas que hoje admiramos venham a ficar reduzidos a pó, ou que nos possa suceder uma raça de homens que venha a não mais compreender as obras de nossos poetas e pensadores, ou talvez até mesmo sobrevenha uma era geológica na qual cesse toda vida animada sobre a Terra; visto, contudo, que o valor de toda essa beleza e perfeição é determinado somente por sua significação para nossa própria vida emocional, não precisa sobreviver a nós, independendo, portanto, da duração absoluta.
Essas considerações me pareceram incontestáveis, mas observei que não causara impressão quer no poeta quer em meu amigo. Meu fracasso levou-me a inferir que algum fator emocional poderoso se achava em ação, perturbando-lhes o discernimento, e acreditei, depois, ter descoberto o que era. O que lhes estragou a fruição da beleza deve ter sido uma revolta em suas mentes contra o luto. A idéia de que toda essa beleza era transitória comunicou a esses dois espíritos sensíveis uma antecipação de luto pela morte dessa mesma beleza; e, como a mente instintivamente recua de algo que é penoso, sentiram que em sua fruição de beleza interferiam pensamentos sobre sua transitoriedade.
O luto pela perda de algo que amamos ou admiramos se afigura tão natural ao leigo, que ele o considera evidente por si mesmo. Para os psicólogos, porém, o luto constitui um grande enigma, um daqueles fenômenos que por si sós não podem ser explicados, mas a partir dos quais podem ser rastreadas outras obscuridades. Possuímos, segundo parece, certa dose de capacidade para o amor — que denominamos de libido — que nas etapas iniciais do desenvolvimento é dirigido no sentido de nosso próprio ego. Depois, embora ainda numa época muito inicial, essa libido é desviada do ego para objetos, que são assim, num certo sentido, levados para nosso ego. Se os objetos forem destruídos ou se ficarem perdidos para nós, nossa capacidade para o amor (nossa libido) será mais uma vez liberada e poderá então ou substituí-los por outros objetos ou retornar temporariamente ao ego. Mas permanece um mistério para nós o motivo pelo qual esse desligamento da libido de seus objetos deve constituir um processo tão penoso, até agora não fomos capazes de formular qualquer hipótese para explicá-lo. Vemos apenas que a libido se apega a seus objetos e não renuncia àqueles que se perderam, mesmo quando um substituto se acha bem à mão. Assim é o luto.
Minha palestra com o poeta ocorreu no verão antes da guerra. Um ano depois, irrompeu o conflito que lhe subtraiu o mundo de suas belezas. Não só destruiu a beleza dos campos que atravessava e as obras de arte que encontrava em seu caminho, como também destroçou nosso orgulho pelas realizações de nossa civilização, nossa admiração por numerosos filósofos e artistas, e nossas esperanças quanto a um triunfo final sobre as divergências entre as nações e as raças. Maculou a elevada imparcialidade da nossa ciência, revelou nossos instintos em toda a sua nudez e soltou de dentro de nós os maus espíritos que julgávamos terem sido domados para sempre, por séculos de ininterrupta educação pelas mais nobres mentes. Amesquinhou mais uma vez nosso país e tornou o resto do mundo bastante remoto. Roubou-nos do muito que amáramos e mostrou-nos quão efêmeras eram inúmeras coisas que consideráramos imutáveis.
Não pode surpreender-nos o fato de que nossa libido, assim privada de tantos dos seus objetos, se tenha apegado com intensidade ainda maior ao que nos sobrou, que o amor pela nossa pátria, nossa afeição pelos que se acham mais próximos de nós e nosso orgulho pelo que nos é comum, subitamente se tenham tornado mais vigorosos. Contudo, será que aqueles outros bens, que agora perdemos, realmente deixaram de ter qualquer valor para nós por se revelarem tão perecíveis e tão sem resistência? Isso parece ser o caso de muitos de nós; só que, na minha opinião, mais uma vez, erradamente. Creio que aqueles que pensam assim, de e parecem prontos a aceitar uma renúncia permanente porque o que era precioso revelou não ser duradouro, encontram-se simplesmente num estado de luto pelo que se perdeu. O luto, como sabemos, por mais doloroso que possa ser, chega a um fim espontâneo. Quando renunciou a tudo que foi perdido, então consumiu a si próprio, e nossa libido fica mais uma vez livre (enquanto ainda formos jovens e ativos) para substituir os objetos perdidos por novos igualmente, ou ainda mais, preciosos. É de esperar que isso também seja verdade em relação às perdas causadas pela presente guerra. Quando o luto tiver terminado, verificar-se-á que o alto conceito em que tínhamos as riquezas da civilização nada perdeu com a descoberta de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, e talvez em terreno mais firme e de forma mais duradoura do que antes. 

 Sigmund Freud

tipo tumblr

Posted: sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 by Arthur Alves in
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