Ordinary fucking people
Posted: segunda-feira, 8 de agosto de 2011 by Arthur Alves in - Acidez Noturna, Coisas que eu odeio, Desapego, Dinossauros, Gente Doida, Pessoas
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Vez ou outra, eu procuro conhecer gente nova, fora do comum. Geralmente eu não gosto de ninguém, já por antecipação eu listo inúmeros possíveis defeitos que a pessoa possa ter; gosto musical, modo de falar, visão religiosa, navegador que usa pra acessar a internet, enfim, é muito mais fácil não gostar de alguém que o contrário, mas algumas vezes é diferente.
Algumas vezes, por algum motivo; seja um gesto, um comentário, um sorriso ou um olhar, acabo ficando fascinado por quem mal conheço. Acabo prestando mais atenção aos detalhes, às nuances, tudo. Esporadicamente viro espectador dos meus próprios trejeitos, quase sempre paro e vivo a minha vida em terceira pessoa, almejando ter um interesse qualquer de mim mesmo.
Me pego pensando, quanta gente interessante nesse mundo eu vou deixar de conhecer simplesmente por conta de desencontros aleatórios, quanta gente vai passar ou passou pela minha vida com pouca ou nenhuma importância e que talvez mudasse o modo como eu vejo as coisas, por puro acaso.
Quase sempre o que eu vejo é normalidade. Quase todo mundo se acomoda a ser comum, sem vontade de ser algo a mais. Confortáveis com o modo de vida que é o estereótipo de felicidade distorcida; trabalham duro pra conseguir uma TV gigante e o carro do ano, andar com roupas caras que mostrem a grife e tirar fotos pra disputar com os amigos pra ver qual é a maior tendência.
Fico imaginando uma vida em um escritório de sucesso, com amigos pra convidar para eventos chiques, com gravatas pra simbolizar a merda de vida que vai se direcionando para o casamento perfeito e para as fotos das viagens que não são para a recordação.
Ânsia de vômito.
Talvez por isso que gente estranha me atraia de alguma forma, minorias, gente que pensa e não gente que acha que pensa. O problema é que esse tipo de gente, partilha da minha repulsa por outras pessoas e aqui chegamos a um impasse.
Ao me olhar agora em terceira pessoa, não vejo uma pessoa tão estranha e tampouco interessante de muitas maneiras, mas é que eu penso, e não é que eu não goste de ninguém, eu não gosto é de você.