TCC - por Fabrício Carpinejar

Posted: quarta-feira, 28 de setembro de 2011 by Arthur Alves in - , , , , , ,
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Se você já foi um universitário ou tem um filho na universidade, entende o valor da temida sigla TCC.

TCC é tudo. O resto é nada. Você é nada, uma ameba, um protozoário perto de um TCC.

O Trabalho de Conclusão do Curso é a greve de existir do jovem. Faz o vestibular parecer um feriado.

O TCC é a TPM do Ensino Superior, a cadeira derretida do inferno, a desculpa para não realizar mais nada.

Não se vive com um TCC. A monografia final da graduação é a fita azul que enrola o canudo, é a provação derradeira para emoldurar o diploma, é o que separa o capelo do céu.


Na teoria, a tarefa se exibe fácil. Arrumar um tema, depois juntar material de pesquisa, atender aos conselhos de um professor orientador e, por fim, escrever 60 páginas. O fim nunca se encerra. No momento de pôr as ideias na tela, o último semestre demora mais três e o pânico devora as letras do teclado como um vírus.

O TCC é o Gulag do adolescente, o exílio solar, a solidão noturna. É o bilhete de suicídio prolongado em livro. É o mesmo que receber simultaneamente a notícia de gravidez e esterilidade.


Não se é humano com o TCC. É um crime se divertir, arejar a cabeça, brincar durante o período. A expectativa de solucionar um problema da carreira a partir de um texto acadêmico torna-se o problema. O futuro ganha o sinônimo de PRAZO ESGOTADO. A esperança tem o subtítulo ANOTAR ALGUMA COISA, QUALQUER COISA, POR FAVOR, ME AJUDA. O sujeito não tem mais passado, mas BIBLIOGRAFIA. Não existe lembrança, e sim FONTE.


Muito fácil reconhecer o graduando na rua. Andará vagaroso, vidrado nos cadarços soltos do próprio tênis, rosto maltratado, remela nos olhos, roupas sobrepostas de quem se acordou agora e pegou as primeiras peças pela frente. Demonstrará irritação e uma dificuldade de entender a lógica do idioma. É um poço de culpa, ou porque não dormiu para estudar, ou porque dormiu e não estudou.

Algumas respostas básicas de um universitário redigindo o TCC:

Você namora? – Não posso agora, estou preocupado com o TCC.
Vamos tomar um café no fim de tarde e pôr o papo em dia? – Não dá, tenho que fazer o TCC.
Que tal Green Valley no domingo? – Nem pensar, estou com o TCC parado.
Topa churrasco de noite? – Nunca, não avancei no TCC.
Um cineminha hoje, para descontrair um pouco? – Desculpa, estou atrasado para o meu TCC.
Onde você está? – Tentando achar uma posição confortável para escrever meu TCC.
Você leu a crônica de Carpinejar em Zero Hora? – Não, só leio o que interessa ao meu TCC.








Crônica do @Carpinejar publicada no jornal Zero Hora e que eu peguei daqui 

Rock in Rio

Posted: quarta-feira, 21 de setembro de 2011 by Arthur Alves in - , , ,
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Hoje eu acordei meio gangster. Pra quem não sabe gangster é aquele cara que é muito filho da puta, mas todo mundo curte, ainda to querendo saber o porque.

                Rock in Rio, mais Rio do que rock. Quem vai? Apenas posers. Tudo mundo que vai pra festival de música mainstream divulgado massivamente pela mídia pra mim é poser.
                Poser, pra quem não sabe, é o cara que paga de sabichão sobre alguma cultura geralmente musical, veste a camisa do Ramones, mas nunca ouviu sequer um disco etc. É só esse tipo de gente que vai pro rock in rio esperando ver algum rock aí.
                Eu não tenho nenhum problema com o festival ou as bandas que vão pra lá, mas o direcionamento da mídia é algo ridiculamente equivocado, a começar pelo nome da festinha. Rock in Rio foi um festival que teve há uns 30 anos que teve uns shows fodas com mais ideologia rock do que música rock. Pouca gente sabe, mas o foda dos festivais de música do passado não era tanto os shows, (que eram sim fodas) mas sim o que era ‘permitido’ se fazer enquanto estivesse por lá.
                Nos dias do evento era praticamente fundado uma república anarquista(?) onde não havia leis ou diretrizes e todo mundo curtia qualquer coisa que tocasse lá porque estava muito chapadão de ácido.
                Não estou dizendo que pro Rock in Rio dar certo teria que fazer apologia às drogas, só que o festival que vai começar nessa sexta não devia ter esse nome, no mínimo. (ou o comercial com as guitarradinhas).
                Isso é inveja de quem vai por eu não ter a menor possibilidade de ir aos shows? Posso dizer que há resquícios.
O que pode ser foda no rock in rio é o Red Hot Chilli Peppers, não tô nem aí se os fodões e figurões curtem ou deixam de curtir, mas acho que valeria a pena. Ate porque essa banda é uma daquelas que dá vontade de parar de ouvir só peno ‘naipe’ da galera que é ‘fanzaço’.
É só prestar atenção, o cara diz que gosta de rock e dá de exemplo RHCP = cagão. Geralmente é o tipo que curte o lado errado do rock, nem entende e acha que RHCP é H A R D C O R E. Daí se veste de bermuda e munhequeira e putz, sou roqueiro mãe. (apenas 18 anos pra cima por que jovenzitos não conhecem os anos 90)
                Ou ainda, os que acham que Red Hot é música calminha porque escutam muito rock’n’roll-metal-core-death-jesus e se parecem com o Jack Black, porra tudo vão pro rock in rio curtir um samba.
                Eu sou desses que deixa de gostar de algo pelo simples fato de muita gente babaca gostar também, mesmo que eu tenha muito apreço, tipo: Praias. E ainda, sou capaz de gostar de uma coisa só porque ninguém acha legal ou nunca ouviu falar, tipo: Filmes do Wes Anderson.
               

Pra concluir o assunto Rock in Rio, tenho que dizer: TOMARA QUE CHOVA~

Post Sustentável

Posted: terça-feira, 20 de setembro de 2011 by Arthur Alves in - , , ,
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Um dia desses, eu fui comprar um refrigerante e a moça do caixa riu com desdém quando eu disse que não queria sacola plástica, pra salvar o meio ambiente. Naquela risada estavam contidos litros e litros de significados inferidos e eu tive que concordar com ela numa discussão em silêncio.
                Já é ruim quando alguém desacredita uma ideia que você tem, mas quando uma pessoa faz isso e você não tem argumentos fortes o bastante pra defender o seu lado, é frustrante. Ela tem razão.
                Consciência ambiental é uma coisa que você tem apenas para fins de ‘descarrego de consciência’ no fundo você sabe que não dá em nada. Isso é quase que utópico pra sociedade em geral, do Brasil, pelo menos. É tão pouca gente “fazendo a sua parte” que até hoje eu jogando o lixo no lixo e recusando sacolas plásticas no mercado, não salvei sequer uma tartaruga marinha.
                Ás vezes eu acho que o faço apenas para irritar meus amigos, por que nem conscientizar alguém é possível.
                De fato, um pré-requisito pra ser ativista ambiental é ser chato. Nunca vi alguém com papo sustentável ser legal, na real, ninguém quer saber dos pássaros migradores do Canadá. E também não tem como ser 100% Vegetariano ou, sei lá, 100% ambientalmente correto.
                Gente que come Soja deve saber que hectares e mais hectares de floresta são desmatados para a plantação da dita cuja, e quem usa aquelas sacolas do meio ambiente tem que saber que proporcionalmente elas causam um dano ainda maior para o ecossistema que as tradicionais sufocadoras de albatrozes.
                Apenas a ficção consegue transformar Vegetarianismo em coisa boa, exemplo, no filme ‘Scott Pilgrim vs o mundo’ (foda), tem um ‘super-ex-namorado’ que é vegan e, por consequência, tem super poderes. E ainda a inesquecível Phoebe de Friends que consegue ser hippie numa série totalmente ‘padrões da cultura’. Se bem que eu curto Friends pra caralho, é uma das únicas séries que consegue ser boa mesmo com risadas de estúdio.
                Pronto, já falei palavrão, reclamei de uma coisa que ninguém se importa e perdi completamente o fio da meada. Post completo.

O Mito da Batata, de Arthur.

Posted: segunda-feira, 12 de setembro de 2011 by Arthur Alves in
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Qual a sua visão de mundo? O que você acredita como verdade final e absoluta? Eu sou famoso por não respeitar crenças alheias baseadas em alienação e/ou terrorismo psicológico. Não gosto de religiões que pregam o medo, nem de receitas de ‘magias’ para prejudicar alguém (macumba braba), e fico pensando o que leva alguém a acreditarem em tais coisas, e se um dia elas irão abrir a mente para um outro nível de conhecimento.
Será que o que pensamos hoje continua a valer pra sempre? Estamos fadados a aceitar uma verdade e acreditar nisso pra sempre? Talvez não. Eu acho que todos conhecem a Alegoria ou ‘Mito da Caverna’ de Platão (se não conhecem, busquem conhecimento) que diz que o conhecimento tem níveis de aceitação e que as verdades se tornam mais abrangentes de acordo com a maneira que você olha o mundo.
Pois bem, eu então irei dissertar sobre um fato verídico que me ocorreu (no passado) e que me fez pensar (hoje) sobre o conhecimento por si só.
No auge da minha infância escolar eu era, sem modéstia nenhuma, um dos melhores da classe, nunca me envolvia em bagunças, quase nunca me sujava e o máximo de algazarra que eu fazia era correr no recreio feito um louco como qualquer um da minha idade, mas claro, parando antes de suar na camisa.
Todo mundo sempre colocava muita expectativa em mim e esperavam sempre que eu continuasse a surpreender a todos. A surpresa chegou numa aula qualquer de uma matéria qualquer em que me foi proposta a atividade: ‘Desenhe uma batata’. Bem, eu já tinha desenhado frutas, objetos e pessoas, uma batata então seria apenas mais um passo na minha incrivelmente promissora carreira acadêmica, aí eu desenhei um quadradinho.
Todos já viram como uma batata se parece? Eu ainda não havia visto senão na mesa. Em forma de salada ainda por cima, uns quadradinhos com maionese. Não tinha a mínima ideia do formato da leguminosa matéria prima.
Foi um choque pra todo mundo saber que eu não era tão excepcional, fiz uma babaquice que não era nada anormal pra minha idade e descobri uma coisa que me fez ter curiosidade em relação a tudo, menino de apartamento criado vendo o Goku (antes da internet) descobriu que as batatas não eram cubinhos que vinham em latas.
É pouca coisa? Talvez, mas são pequenas revelações que fazem você pensar em tudo e acabar por revelar algo maior que mude o seu modo de encarar o mundo. As coisas não nascem em latas, ervilhas não foram inventadas para você prestar atenção no que está comendo (e eventualmente tirá-las do prato), as comidas industrializadas sabor pizza são na verdade sabor orégano, aliás existem mais sabores de pizza além de calabresa e frango, há todo um infinito de coisas que você ainda não sabe depois de descobrir tudo isso e apenas os tolos continuarão com a visão de que não são os donos das suas próprias vidas.
Talvez seja amadurecimento proveniente das experiências vividas, mas eu mudei a minha opinião diversas vezes no decorrer dos anos e apesar de não gostar da generalidade da sociedade ainda acredito que todos possam parar de acreditar em contos de fadas.
Mitos são coisas inventadas para promover certa paz espiritual, mas têm limites, batatas não nascem em cubinhos.


Priceless

Posted: sábado, 3 de setembro de 2011 by Arthur Alves in - , ,
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