Quantas merdas estão acontecendo
nesse exato momento no mundo todo? Quantas pessoas estão se importando com
isso? Vale apena alguma coisa? Nada é menos importante no universo do que os
maiores questionamentos sobre ele.
As
pessoas usualmente costumam falar que questões mundiais são mais importantes do
que meros problemas cotidianos, eu gostaria de perguntar em que planetas elas
vivem. É claro que são as pequenas coisas da vida que fazem você se sentir
vivo, pouco se importando se tem fome na África ou não.
Cada
pessoa vive no seu próprio mundo, cada um tem a sua própria experiência que
pode chamar de vida. Ela, a vida, é uma coisa que as pessoas complicam demais.
É tudo muito simples, o mundo gira em torno de mim e eu sou a causa de todas as
consequências que acontecem comigo.
É
engraçado quando questões sobre a vida surgem em momentos tão pouco importantes
no contexto existencial, e quando você se depara com uma situação definitivamente
marcante, nada mais é do que um dia qualquer.
As
últimas semanas foram de longe as mais peculiares do ano. Foi dessas em que
você nota quem é amigo de verdade e quem está só de figuração na vida. Foi
marcada por um acontecimento de infinita importância que me deixou insatisfeito
com o universo. Pela primeira vez entrei em um cemitério, por motivos óbvios, mas
apesar desse dia parecer ser diferente, estava tudo igual ao que sempre foi.
No
dia anterior não houve nada de diferente, a tristeza das pessoas não afetou nem
um pouco o dia, ele começou e acabou na mesma hora de sempre, nem choveu. E
tampouco nos afetou de maneira tão significativa quanto se poderia imaginar,
apenas ficamos com caras esquisitas. Reparamos nas roupas, nas pessoas, no
clima e até em certos momentos, seguramos o riso, como se estivéssemos fora de
órbita.
Tal
situação nos torna insensíveis? A natureza é insensível por nos deixar viver as
24 horas inteiras enquanto desejávamos que aquilo acabasse logo? Não, porque a
vida simplesmente vai acontecendo independentemente do nosso humor. Não é
triste, mas é despido de emoção.Ninguém vai sentir a perda nos momentos mais
importantes, mas sim nos mais banais, mais cotidianos, tão simples quanto tomar
café de manhã sem ter acordado direito.
A
prova disso tudo é que, por mais que tenha sido um momento marcante nas nossas
vidas, todas essas filosofias sobre ela me ocorreram aqui, por não saber por
qual sabor começar no sorvete napolitano.